quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

MEDITAÇÕES V




A solidão é um vazio
que caminha de mãos dadas
com o Homem.

Se aceitares a sua companhia,
verterá sobre ti a doçura
dum néctar de jasmim.

Mas, se sentires o peso
da sua muda presença,
não agites as águas que te habitam.

Entende:
nessa hora, a gota que és
apenas esqueceu o tempo
em que com outras compunha
um oceano sem fim.



PBC.







terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

MEDITAÇÕES IV




Procura o silêncio.
Procura o informe
dentro do próprio silêncio.

Só o espírito saberá
aquilo que poderá ser:
talvez uma rosa,
talvez uma madrugada.

Talvez o argênteo mar
onde enfim te revejas
no que sempre foste.

Procura o silêncio:
a fonte de tudo,
a raiz do nada.

Onde principia, onde termina?
Onde poisa quando cessa
o rumor das inaudíveis asas?

Procura um coração
que ao invisível se abriu.

E deixa o silêncio absorver
cada fronteira que te aparta.



PBC.








segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

MEDITAÇÕES - III



Nunca a rosa foi ou será
mais viçosa que na hora
em que a tocas, observas e cheiras.


Ontem, era sonho.
Amanhã, será morte.

(Sonho é deslumbramento.
Morte é transmutação).


O manto que veste
a efemeridade de tudo
tece-se duma nobre e melancólica beleza.

Não serão os lírios belos,
mas tristes porque findam?
Enquanto isso, colorem
as orlas do jardim.


E não será o voo da andorinha ímpar,
mas dorido porque cessa?
Enquanto isso, canta
o dia que a abraça.

Ou talvez tudo seja apenas
aquilo que é: realidade pulsando
além do julgamento, da percepção,
do entendimento.

E somente de teus olhos jorre a água
que dilui o invicto brilho,
secretamente pulsando
no interior de cada disfarce.


PBC.






terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MEDITAÇÕES - II




Toda a sombra se dissipa
à luz de um sol excelso,
pois toda a sombra se compõe
de luz não desperta.

Se a sombra que ostentas
mora no peso dos receios sem nome,
encaminha o cego olhar
à luz do sol da tua fé.

(Sem despojo
nenhuma fé será possível, 
sem amor
nenhum despojo será verdadeiro).

Se deveras excelso for esse sol,
ao colocares sob a sua luz
a sombra que te oprime,
vê-la-ás, num ápice,
sucumbir diante dos raios
que de pronto a fulminarão.

Da poeira remanescente
farás a tua estrada.




PBC.




(fonte: palidzusev.lv)



x

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

MEDITAÇÕES - I


Observa o riacho
fluindo serenamente,

contempla o malmequer
bailando gentil,

escuta o canto
da inspirada ave louvando
o sol onde se banha.

Em teu redor
pulsa a eternidade.

Não agites a folhagem
do dócil salgueiro.

Não se apressam os frutos
e maturam sempre
no tempo que lhes é certo.

Não se sobressaltam os rios
e desembocam sempre
no oceano que os espera.



Pedro Belo Clara.








(fonte: http://slodive.com).



terça-feira, 6 de maio de 2014

O OFÍCIO DE CAMINHAR (PARTE II)


É extraordinariamente fiel e exacta a forma que a vida encontra para se plasmar no caminho pelo viajante percorrido, seja ele qual for. Aliás, não é a própria vida um caminho de existência? Com a devida agudeza de percepção, compreenderemos que inúmeros aspectos de um se podem retirar e/ou aplicar no outro. Tal facto é a prova da sua indissociabilidade.

Darei um exemplo: sempre que empreendo uma caminhada, assisto em movimento contínuo ao que foi, é e será. No fundo, tudo isso se assume e manifesta numa mera ilusão. De certa forma, nada foi nem nada será: tudo é. O simples acto de caminhar é que, como acontece ao longo de uma existência, instiga essa toldada assumpção. É preciso transcender o tempo para racionalmente entendê-la. Partindo dessa ideia, constatamos como na matéria se desenvolve a prática de imensos preceitos teóricos, já que ela é o palco da expansão do próprio espírito. Será, no fundo, como entender o caminho físico que se percorre como uma metáfora da existência. Na verdade, é um exercício pessoal que, somado ao benefício medicinal de “andar a pé”, reúne inúmeros proveitos para quem o pratica.

Contudo, importa que no seio de tanto fascínio e deslumbre não ceda o espírito a certas “tentações” que também povoam o quotidiano da vida mundana. Nomeadamente, ao apego. É verdade que uma paisagem nova ao olhar sempre tende a prendê-lo, inundando a alma do caminhante na mais fresca das fragrâncias. Afinal, é algo desconhecido, e bem sabemos das virtudes, esperanças e oportunidades que as coisas desconhecidas podem prover. O próprio Thoreau afirma-o: «uma paisagem nunca vista é uma grande felicidade, e em cada volta há sempre algo novo». Será mesmo esse cenário, por vezes, o tónico ideal para dissolver a monotonia que os velhos caminhos, de tão gastos que estão, podem fomentar. Contudo, se o problema é a repetição do cenário, também para tal se encontrará uma solução. Vejamos: será que o que se estagna e se repete é o cenário envolvente? Ou a mente do viajante que por dias sem conta o contemplou? Pois bem, eis a derradeira constatação: tudo surgirá renovado se a mente de quem observa renovada estiver. Uma das maiores e mais proveitosas valências desta prática prende-se com isto: compreender como o milagre da vida se renova no nascer de cada dia.

Mas retornemos ao apego. Afinal, se nos deixarmos guiar pelos frementes impulsos de um qualquer deslumbre, corre-se o risco de para com ele cultivarmos uma espécie de atracção e consequente aprisionamento. Que em nada se relaciona, sublinho, com o gosto sentido em ver ou provar uma certa atmosfera, cenário ou demais elementos. O apego é uma sensação pouco luminosa, com raízes fundas no ser. Nasce do medo, nomeadamente do temor da perda, e arrisca-se a crescer infindavelmente se for alimentado pela substancial força das emoções. Em casos mais graves, roçará os limites da obsessão. Mas o ofício sobre o qual tenho vindo a divagar (admito a minha falta, leitor, e por ela peço a sua indulgência) exige abnegação, despojo e, principalmente, desprendimento... Passada após passada, tal premissa tornar-se-á translúcida à compreensão do viajante. Num de meus livros, em jeito de poema, escrevi: «caminhar é somente isto: fluir pelos caminhos». Eis o prelúdio da ideia em causa. Ademais, o viajante não é dono do caminho que escolhe trilhar... Em primeira instância, é um convidado seu, um alguém que responde a um íntimo apelo escrito nas finas linhas do vento. Depois (e será essa, eu creio, a transcendência final), tornar-se-á uma parte de si.

Escrevo estas palavras e à minha memória assomem as de Eugénio de Andrade, aquelas que numa crónica sobre Teixeira de Pascoaes retratam o saudoso poeta numa praia a recolher conchas e pedras. Ao que parece, Pascoaes guardava sempre algumas lembranças dos passeios que realizava. Desprovido de qualquer pretensão comparativa, devo confidenciar que pelos motivos antes explanados nunca trago de minhas viagens recordações físicas do caminho trilhado. Não por rígido princípio, mas por uma absoluta ausência de necessidade ou impulso. Cheguei, isso sim, a talhar num ramo de palmeira um modesto cajado de apoio (o simbolismo é evidente), mas até esse anexo nem conta mais com o meu uso. Há qualquer coisa no espírito que se quer livre que reclama ausência, silêncio e solidão. Devemos abandonar os mais fúteis mantos e máscaras se desejarmos ser um simples grão de vento. Bem, sempre nos poderíamos focar nas humildes flores... Por nossas mãos colhidas, não serão uma forma de apego? Se até essas eu ofereço, o apego, a sê-lo, ao menos não é individualizado. Um dia, minha mãe teve junto da janela da sua cozinha uma bem aromática rosa de Santa Teresa por mim recolhida no quintal de uma casa em ruínas. Permaneceu viçosa por mais de uma semana num jarro com água sempre fresca. Enfim, hoje, de consciência mais amadurecida (estou em crer), prefiro deixar todos esses belíssimos exemplares botânicos no lugar a que pertencem. Pois só ali, em canteiros, matagais, veredas ou valas, é que poderão embriagar o olhar do viajante mais atento. Talvez não seja propriamente um caso de apego, mas aqui o caminho ensina-nos as implicâncias das vertigens do egoísmo, ainda que esbatido, ou da dúbia exclusividade.

Despojado vou, despojado retorno... Só as memórias de tudo o que foi visto, saboreado e sentido, valem por si e excluem outros actos de dominância. Que mais poderei pedir? Além disso, a Natureza detém a sua própria ordem. Quem sou eu para voluntariamente alterar esse curso? Se a vida a meus olhos se apresenta como um rio fluido, então fluido serei. Tanto quanto sei ser, claro está. Ainda assim, trago impregnados em minha essência o aroma dos locais por onde passo; neles, deixo a semente do meu próprio perfume, cintilando como estrela até ao nosso próximo encontro. Só isso me basta, quanto ao capítulo do “trazer e deixar” diz respeito. E há até caminhos que conheci no auge do florescimento, nas securas do estio, na melancolia do outono e na mortiça sombra invernal – um mesmo cenário rendido aos efeitos das estações, sem que nada contra possa ser empreendido. Esse nível de aceitação por certo que surpreende e instruí, de sobremaneira, os espíritos mais inconformistas e rebeldes. Eis uma outra prova do implacável plasmar da existência num caminho que se percorre e das luminosas ilações que daí se poderão retirar.

O resultado de uma caminhada reflecte-se na alma de cada um, e verifica-se, como habitualmente, no término da mesma. Trata-se de evocar a velha prática de “varrer o quintal como quem varre os recantos do coração”. O preceito é o mesmo. Será interessante efectuar esse exercício apenas para constatar qual será a disposição final. Cansaço? Sim, por certo... Mas provavelmente uma leveza sem fim. São os tais estado de espírito que tanto gostaríamos que se eternizassem, mas que sempre se revelam tão efémeros como uma rosa nos inícios do outono. Ainda assim, poderá ser forte o suficiente para em breve nos levar à estrada. Oh, por quantas vezes não regressei eu ao lugar que me esperava com o mais dócil dos brilhos retido no olhar? Desse sereno êxtase retira-se a viva luz que tão própria é aos caminhantes: a luz dos deslumbres contemplados e, por isso, impressos na visão de quem bebeu algo mais do que a mera aparência de todas as coisas.

Nada existe por si só, e este nobre e simples ofício também essa lição nos ensina. Cada flor, cada árvore, cada ave vagabunda, cada réptil, cada homem e mulher. Em que medida são estes elementos distintos entre si? Não nos equivoquemos: caminhante e caminho são uma coisa só. É esse o segredo maior.




Pedro Belo Clara. 




segunda-feira, 28 de abril de 2014

O OFÍCIO DE CAMINHAR (PARTE I)


Não se poderá considerar simplista a tarefa de expressar por palavras o impacto que certas ocorrências ou actividades provocam em nós, principalmente se o que das mesmas colhemos equivale ao degustar, por um cálice de prata, do mais inigualável dos néctares. Certas coisas, ou melhor, a ressonância do efeito de certas coisas, é, de facto, tão sublime, grandiosa e pura, que nem nas palavras, perecíveis e finitas, a sua definição pode caber, sob pena capital de proscrever sentidos que igualmente merecem o seu digno registo. Em todo o caso, ao fazê-lo, importa ter a consciência de que algo sempre se perderá, seja por motivos sumários ou, como antes se referiu, pela impossibilidade de esboçar uma acurada descrição. E o sentimento que uma boa caminhada me instiga é um óptimo exemplo de tais evidências.

Sendo o Homem um elemento detentor de tamanha diversidade entre si, ainda que em mera aparência, compreendo que por íntimas razões nem todo o indivíduo se apreste a tais actividades e, como tal, possa não se identificar ou simplesmente familiarizar com certas ideias ou parâmetros que mais adiante irei expor. Excluamos, no entanto, o ócio ou um mau investimento do seu quinhão temporal. Refiro-me aos meros “gostos ou tendências pessoais”. O que é perfeitamente natural em sua essência, se bem visto for o caso. Darei um exemplo: se dez Homens se sentarem a uma só mesa e diversas bebidas forem servidas, por certo haverá quem escolhe o vinho, quem opto pelo sumo mais fresco e quem se decide a saciar a sede na singela e translúcida água. Portanto, o que se conclui? Iguais em condição, diferentes em suas preferências. Nada de estranho reside nessa evidência.

Dado o singular carácter das caminhadas, a viva metáfora que representam e o tudo que delas se pode extrair, outras ideias são passíveis de aceitação, além da mera hipótese de “preferência pessoal” antes referida. O célebre pensador norte-americano do século XIX, Henry David Thoreau, por exemplo, no seu ensaio “Caminhada”, bem persuasivo e lúcido, afirma que «há que ter nascido caminhante para pertencer a esta casta». Sabia do que falava, sem dúvidas, ele que fora merecedor, a respeito de tal tema, das seguintes palavras por parte de seu amigo e destacado escritor, Ralph Waldo Emerson: «Era um prazer e um privilégio passear com Thoreau. Conhecia tão bem o campo como uma raposa ou como um pássaro e cruzava-o livremente por caminhos que todos desconheciam. Sabia de cor todos os trilhos que a neve cobrira e que as criaturas haviam percorrido antes dele. Obedecíamos servilmente a tal guia, e a recompensa era grande».

Voltando às palavras de Thoreau, à discussão trazidas por, num momento de escrita, mentalmente as evocar, admito não ir tão longe quanto o referido autor parecia desejar ir, se bem que compreendo as suas possíveis intenções. Pois, ao declarar tal ideia, abre-se caminho a uma certa diferenciação que considero ser, de todo, desnecessária. Um caminhante, devoto discípulo do ofício de caminhar, não é propriamente alguém “superior” ou “diferente” (não tanto como qualquer outro), apenas alguém que em si detém uma veia pulsante que a tal o instiga. Assim como o comerciante possui o seu impulso, o agricultor ou o médico. São naturezas que, embora humanas, todas elas, compõem-se de géneros naturalmente distintos. Grande parte da beleza que orna a existência encontra-se em tal princípio.

Mas, de facto, existe alguma lógica no dizer de Thoreau. É preciso ser-se “caminhante” de origem para empreender a caminhada, apreciá-la e dela fazer um acto contínuo, quase indissociável do ser que a pratica. Se o marinheiro sente, desde cedo, o apelo do mar, o caminhante sente o irresistível apelo da estrada. Eu mesmo, admito, deleito-me e diluo-me nessa estranha magia que paira por uma estrada deserta distendida até ao horizonte, onde os reflexos de um sol nascente ou as mais vibrantes cores de um fogoso ocaso somente adensam a eterna promessa de infinito. Sim, caro leitor, se os caminhantes são mesmo uma casta, como Thoreau gostava de afirmar, de bom grado admito que a ela pertenço.

Como saber, no entanto, que impulso nos guia e alimenta? Em muitos casos, a estrada só sussurra o nosso nome quando pela primeira vez nela nos quedamos, prontos a navegar as ondas de todos os ventos. Noutras circunstâncias, de génese mística, existe uma espécie de feitiço que parece guiar o ser a determinados lugares, a determinadas práticas ou sensações, por forma a iniciar o seu percurso de aprendiz. Passada essa fase, sabendo o espírito o que o eleva e cativa, a união será fatal.

Na realidade, a partir do primeiro instante em que colocamos o pé na estrada nada mais será como dantes. O prelúdio do ofício conheceu a sua material manifestação, e todas as vindouras etapas se apressam a tecer os seus conteúdos. É o mesmo que pegar num copo de água e nele largar algumas pedras de sal. Assim que se dissolver, não existirá parte alguma daquela água que se prive de sódio. Já não o vemos, é um facto, mas o sabor que o líquido apresenta não permite margem para enganos.

A que se deve tal fascínio? Primeiro, como antes fiz menção, é necessário sentir o caminho e, claro, querer caminhar. É importante desejá-lo, numa fase primordial. Depois, com a disciplina necessária, transmutaremos a prática e dela faremos um simples acto, banal e quotidiano – sem que o mesmo se prive da sua digna virtude. O caminhante tornar-se-á a fímbria da estrada, a pedra do caminho, o grão do vento... Até compreender a eternidade que reside em si e que, a cada caminhada, se plasma no trilho que tem pela frente. Poderemos estar já a falar de “transcendências” que se arriscam a sair da órbita percepcional de cada leitor, aceito essa ideia, mas quem se permitir a cultivar a prática acabará por compreender ainda melhor aquilo que agora escrevo.

Na verdade, o acto de caminhar comporta mais espiritualidade do que materialidade, ainda que tal ideia possa parecer paradoxal. Cada indivíduo caminha com os pés assentes na estrada, sim, mas o que importa não é a posição de caminhar, antes a disposição para a caminhada. Com a prática, estou certo, estas e outras ideias terão um novo sentido. Como em tudo, é necessário a prática, a disciplina e a perseverança. A raiz de uma árvore é amarga, naturalmente... Mas o que dizer de seus frutos? Doces como o mel. Pois, quando nos iniciamos neste ofício, é como se pegássemos numa peça de prata, antiga e valiosíssima, cujo brilho, se o teve, aparenta estar completamente extinto. Contudo, com esforço e dedicação, somando os materiais necessários ao efeito, iremos perceber o quão lustrosa era, ou melhor, sempre foi. Apenas os anos fomentaram o seu desgaste e obscurecimento por escassez de uso. Depois, é vê-la magnífica como sempre – a sua real beleza fora enfim revelada diante do nosso anteriormente turvo olhar.

Com o Homem o caso é idêntico. As próprias incidências da vida material e a existência de um corpo que aparenta ser a sua real identidade tendem a fazê-lo esquecer de que há um espírito que exige cultivo, limpeza e cuidado. Múltiplas são as formas para cumprir tais exigências, e a caminhada é somente uma delas. Isto porque, em sua natural execução, comporta uma certa abnegação, um desprendimento sadio, um fluir que faz o caminhante compreender como a vida pode ser vivida: de forma idêntica à de um rio correr. Como se não bastasse, o cenário envolvente de igual modo fornece elementos que nos auxiliam no cumprimento do propósito, ainda que, para tal se suceder, recomende um passeio de índole bucólica. Pois as cidades, de tão densas e aprisionadas, nem sempre se afiguram como a melhor solução. Mas o mais importante é que cada caminhante execute a sua escolha e com ela sinta o maior dos confortos. Não obstante, existe ainda o ritmo da caminhada, um apelo sincero à agudeza da percepção, que leva, invariavelmente, a um estado de consciência e serena vigilância. Constataremos, assim, o modo como em cada passo tudo por nós passa... Árvore, flor, ave, pedra, curva, semelhante. Eis o anunciar de um dos princípios mais sólidos de toda a existência material: a impermanência do perecível.




Pedro Belo Clara.