sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

MEDITAÇÕES XLVII


Ambíguo, o olhar do Homem.
Mas que outra visão esperar,
se dual é a forma onde se exprime?

Observando o mar da existência,
quando prevê o nascer de alta onda
só teme sucumbir à força do seu sal.
Saberá que se lhe tomasse a crista
tão perto ficaria das estrelas?

Cego de vagas, ignora a absoluta
permanência do oceano que as gera.
Como poderá a simplicidade
ser bebida por tão complexa pessoa?

Ao fecundar a ilusão que cria,
por mais promissor que pareça
o destino tecido em fantasia,
fica aquém do que em verdade é.

Assim, por sua mão se condena
ao exílio dos pássaros moribundos,
esses que de tanto temerem a queda
nunca ousaram dar cor às asas.
Como uma melodia sem coração
para de eco lhe servir, desaprenderam
a arte que sempre lhes fora inata.

Pela imensidão da terra vagueiam
decepados da sua realidade,
afogados no sonho que crêem,
chorando o céu donde se expulsaram.







2 comentários:

  1. Meu jovem, falamos de pensamento e não de poesia.
    A Poesia não 'respira' assim...

    Continue mas aprofunde-se, se é POESIA o que pretende escrever.

    Abraço,

    VG

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    Respostas
    1. Caro amigo (desculpe, não sei o seu nome, assinou apenas com as suas iniciais e, assim de repente, as mesmas não me trazem à memória sequer uma possibilidade sobre quem seja),
      Em primeiro lugar, agradeço a visita que prestou a este blogue e o comentário que achou por bem deixar.
      Em relação ao mesmo, concordo quando fala em "pensamento", pois será sem dúvida nessa categoria que estes textos se inserem. Aliás, lendo a epígrafe com que aqui os publico ("Meditações", ao invés, por exemplo, de "Poemas") somos de imediato levados para esse campo.
      Produzo outros trabalhos de índole bem diferente, de teor lírico, embora com verso livre, que talvez encaixassem melhor no conceito que o meu amigo faz de poesia, mas esses não têm aqui a sua publicação. Este espaço está ultimamente a ser destinado apenas a estas reflexões que partilho em corpo de poema (permita-me que o designe assim). Se poderia escrevê-los em forma prosaica? Certamente, mas esta foi a mais espontânea forma encontrada para os expressar, o modo mais directo e fluido. Teremos, portanto, uma "poesia de teor reflexivo", mesmo que para alguns julgamentos tal possa não ser aceite. É um risco que corro, compreendo. Naturalmente, quem se debruça sobre um texto dele tece uma opinião, forma uma visão que poderá contradizer até o próprio autor, mas através dela muitos outros poderão tirar inspiração, inclusive o dito autor. A partilha de apreciações pode, assim, revelar-se bastante proveitosa.
      Continuarei, decerto, bem como a aprofundar estilos, formas, abordagens e afins. Permanecer estático será renegar o crescimento, e isso só nos aproxima da estagnação e da morte.
      Renovo os meus agradecimentos pela sua visita.
      Um abraço,
      PBC.

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