segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

MEDITAÇÕES - III



Nunca a rosa foi ou será
mais viçosa que na hora
em que a tocas, observas e cheiras.


Ontem, era sonho.
Amanhã, será morte.

(Sonho é deslumbramento.
Morte é transmutação).


O manto que veste
a efemeridade de tudo
tece-se duma nobre e melancólica beleza.

Não serão os lírios belos,
mas tristes porque findam?
Enquanto isso, colorem
as orlas do jardim.


E não será o voo da andorinha ímpar,
mas dorido porque cessa?
Enquanto isso, canta
o dia que a abraça.

Ou talvez tudo seja apenas
aquilo que é: realidade pulsando
além do julgamento, da percepção,
do entendimento.

E somente de teus olhos jorre a água
que dilui o invicto brilho,
secretamente pulsando
no interior de cada disfarce.


PBC.






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