sexta-feira, 17 de julho de 2015

MEDITAÇÕES XX



Por quanto tempo mais
terá a borboleta de findar
seu voo na terra prostrada,
e assim renascer em flor?

Murchando a flor,
antes berço de tanta vida,
outra borboleta, algures,
gerar-se-á.

Gerada a borboleta,
um outro voo a seu tempo
prostrar-se-á na mesma terra
donde uma flor brotará.

Se asas coloridas tem,
por que não faz a borboleta
uso de tamanha valência
e voga pela imensidão
do céu que tem em si?

Por que não é essa flor
da borboleta gerada
tão natural e simples
em sua profunda verdade?
O néctar deslumbra a borboleta,
o perfume inebria a flor.

É certo:
de tão quieto,
o silêncio é despercebido;
de tão vasto,
o vazio assusta o ser.

Sem a completa liberdade, porém,
o retorno é estrada infinita.



PBC.







(Fonte: wolfram.com)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

MEDITAÇÕES XIX



A verdade de cada coisa
é como um pequeno sol:
cega o olhar
que súbito a ele torna.

A verdade de cada coisa,
por ferir o que julgas teu,
é raiz de injurias e proscrições.

A mentira, porém,
é como dormitar na sombra
fresca da oliveira gentil.

Aquele que dorme
tarda em despertar.
Aquele que se cega
aprende a ver.



PBC.








quinta-feira, 25 de junho de 2015

MEDITAÇÕES XVIII


Pensamentos são frutos
de memórias e experiências,
obstáculos à observação
da natureza das coisas.

Pensamentos são sons:
agridem o silêncio.
Pensamentos são nuvens:
cobrem o sol mais brilhante.

Como sons que são,
também cessam
diante da mudez mais profunda;
como nuvens que são,
também se dissolvem
à passagem do leve vento.

A eterna testemunha:
o magnânimo céu.




PBC.






(Fonte: ak-studios.deviantart.com)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

MEDITAÇÕES XVII



Que sabemos nós das estrelas?
Do que palpita, seguro,
sob as formas que os olhos vêem?

O amor que sabemos
implora gestos para que viva.
Só ama se amado.

Foi a melhor semente
que soubemos lançar à terra.

E a flor, na vez de dentro,
cresceu para fora.




PBC.








(Fonte: amc-nh.org)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

MEDITAÇÕES XVI




Observa o vento que baila
no afago dos sentidos,
contempla o rio que flui
através das pedras
que lhe servem de obstáculo.

Sê brando, sê gentil:
nunca saberás em que cálida tarde
a borboleta virá para adormecer
no conforto do teu ombro.




PBC.






(Foto de: Lara Hartley - www.desertusa.com)


segunda-feira, 25 de maio de 2015

MEDITAÇÕES XV



Se a palavra for vera,
tanto quanto a palavra o puder ser,
não terá de se assumir verdadeira
para afirmar a verdade que contém.

Se o espírito estiver uno,
tanto quanto o espírito souber estar,
não terá de aclamar a unidade
para revelar a união que detém.

Se tudo permanecer o que é,
na vez do que aparenta
(oh, frutos de sonho e desejo...),
o silêncio será montra maior,
revelação derradeira,
vocábulo final.

A autêntica mudez
possui a vida dos pássaros
que altos voam.




PBC.






(www.photos-public-domain.com)

terça-feira, 12 de maio de 2015

MEDITAÇÕES XIV




Conhece as sementes
que lanças à terra.
Só assim saberás
dos frutos a colher.

Como reconhecer um fruto
cuja semente desconheces?
Somente lhe poderás
adivinhar as formas
antes de o amparar em tuas mãos.

Mas a ideia de fruto
não é o fruto em si.

Conhece as sementes
que lanças à terra.
E saberás fielmente
de tua colheita.




PBC.







(fonte: www.athletico.com)