terça-feira, 12 de maio de 2015

MEDITAÇÕES XIV




Conhece as sementes
que lanças à terra.
Só assim saberás
dos frutos a colher.

Como reconhecer um fruto
cuja semente desconheces?
Somente lhe poderás
adivinhar as formas
antes de o amparar em tuas mãos.

Mas a ideia de fruto
não é o fruto em si.

Conhece as sementes
que lanças à terra.
E saberás fielmente
de tua colheita.




PBC.







(fonte: www.athletico.com)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

MEDITAÇÕES XIII



Se puderes ser rio,
flui.

Se puderes ser vento,
voga.

Se puderes ser árvore,
frutifica.

Se puderes ser lua,
reflecte.

Se puderes ser sol,
ilumina.





PBC.







quarta-feira, 8 de abril de 2015

MEDITAÇÕES XII




Serve incondicionalmente
o teu semelhante.

Se a sua boca secar,
rega-a com a água que brota
da tua fonte 
mais profunda;

se a sua fome se fizer sentir,
sacia-a com o pão que amassas
na madrugada de cada dia.

Dá sorrisos a quem te der rosas
e pétalas a quem espinhos te der
– assim entenderás o alcance
de um maduro amor.

Serve incondicionalmente
o teu semelhante.

Verás a tua íntima imagem
no brilho daquele que cuidas,
como uma estrela que reluz
no âmago do seu par.



PBC.





(Fonte: www.pinterest.com)

sexta-feira, 27 de março de 2015

MEDITAÇÕES XI




São coisas mortas
as palavras do Homem.

Rosas, talvez,
das mais belas que houve,
aguardando somente o dia
em que pousarão na lápide do tempo
como poeira que são.

Encarnam a verdade!, dizem.
Falam da verdade!, aclamam.

O que encarnam porém
se não a ideia de quem as esculpiu?
O que dizem
se não a história de quem as pensou?

A Verdade é como um novelo:
desenrola-se diante dos olhares.

Os mais avisados, cegos ignoram-na.
Mas aos frugais entreabre-se a porta.

A Verdade é um mistério.
Como compreendê-lo senão vivendo-o?




PBC.





sexta-feira, 20 de março de 2015

MEDITAÇÕES X




Num jardim de estações,
o querer é frágil flor:
o instante que o vê nascer
amortalha o enfermo corpo.

Nenhum sol, nenhuma chuva
alimentarão frutos artificiais.
Mas o espectro de tal espécie
assolará o coração de quem o sonhou.

Que arte se forma de débeis cores?
Que essência se depura de esbatido aroma?
Fosse a querença natural
como a água dum rio
e fertilizaria as sementeiras do mundo.

Porém, na vez de se esvaziar,
enche-se. E a semente, maldita,
moribunda para a eternidade,
envenena a terra que a não esqueceu.





PBC.






(Fonte: luismartinssite.blogspot.com)

sexta-feira, 13 de março de 2015

MEDITAÇÕES IX




Compreender é o prelúdio da compaixão.

Quem compreende não alimenta o conflito,
pois a fome que o instiga se saciou.

Quando compreenderes que o teu semelhante
sonha com o mesmo rio,
anseia pela mesma flor
e busca o mesmo fruto,
as fúrias a ele direccionadas
de súbito cessarão.

Tanto quanto a ele o és,
também ele é o teu reflexo,
a tua extensão
– apenas se cobre doutros mantos
e ostenta outras máscaras.




PBC.





(Fonte: www.pintarest.com)

sexta-feira, 6 de março de 2015

MEDITAÇÕES VIII



Se não houvesse manhã
para a cotovia cantar,
que ordem suprema teria
para compor seus versos?

Poderá a cotovia 
da noite fazer madrugada
se madrugada for tudo
o quanto tiver?

Certos mistérios iniciam-se
em abismos longos
e céleres derramam-se
sobre obscuras infinidades.

Na vez de compreenderes o mistério,
recebe-o em ti. Vive-o.
E canta o inominável
como o rouxinol louva o dia.



PBC.








(Fonte: ondeomeuolharseperde.blogspot.pt)