quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poemas de uma viagem da linha gaivota

III.

Corre, toupeira mecânica,
Como se esse caminho
Se prolongasse pelo infinito!
Em derradeira hipótese
Imortalizamos este instante iluminado,
Onde vários olhos indagadores
Se fixam em tudo quanto vêm,
Onde os calados suspiros
São tão compreendidos e aceites,
Onde nada ameaça quebrar a ligação,
Por mais insistente que seja
A técnica do pedinte.

E, a cada passada empreendida,
A entrada de uma nova estação:
Viajantes que vão e vêm
Em tão natural movimento,
Tal como o é na vida –
Curioso é constatar
Como o rosto da nossa existência
Se depara com o rosto
Da existência de alguém.

Que força ordena à carruagem
Para parar e abrir suas portas
Onde, para além delas, está
Um jovial sorriso de princesa?
Que soberbo fenómeno aleatório!
Será somente um acaso?

Tudo possui a sua Razão
Não fundamentada
E a sua Ordem desordenada
Criada por outros tantos,
A começar por nós mesmos;

Rectilínea e completa
Apenas é a linha metálica
Que define este percurso.  

 

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