segunda-feira, 2 de maio de 2011

Propósitos diários

Todos desejaríamos que, aquando da conclusão de mais um dia pleno de agitação e de cansaço, em que as certezas que tínhamos por garantidas parecem querer regredir à sua posterior forma de dúvida, fossemos prendados com o mais esplêndido dos hinos, enquanto caminharíamos por entre a mais sublime das guardas de honra. Contudo, quantos de nós não se deparam com a parte mais sombria do silêncio, aquela que se manifesta vaga e opressora? Ainda que tudo o que se obtenha seja o amargo da indiferença ou da incompreensão, a frigidez da repulsa e a inconsciência da não solidariedade, a nossa empresa diária jamais terá sido fútil ou meramente inconsequente! Tal nem sempre é claro de verificar ou de entender mas, acima de qualquer agraciar ou reconhecimento, a palavra mais doce e reconfortante deverá prover de nós e ser para nós mesmos, como num perfeito ciclo de cura e de harmonização. Se empreendermos o máximo que nos é possível, ciente de que nunca capitularemos diante dos obstáculos, colocando a consciência limpa e a nossa visão clara e viva, então escutaremos o tal hino magnânime e caminharemos sob uma guarda de honra, ao som da nossa voz e ao ritmo da nossa dança. A certeza de que executamos nossas tarefas plenos de vontade e de amor, sem olvidar o férreo e deliberado querer, servirá um propósito válido e luminoso, revelando-se na bandeira de uma vida que mais ninguém conseguirá furtar por ser tão marcadamente pessoal. E mesmo nas etapas em que circunstâncias várias se encaminham para uma não resolução, torna-se importante o accionar do rastilho que evocará aquilo que foi executado e aquilo que foi servido, concedendo o devido valor aos novos patamares alcançados ou até mesmo concebidos como meio de fortificação de intentos vindouros, ainda que a nossa limitada percepção (imensamente mergulhada no mar da materialidade) tal não consiga discernir.


Pedro Belo Clara.





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