quarta-feira, 6 de julho de 2011

Passividade Necessária

Numa qualquer etapa do longo caminho que a cada dia e a cada instante é trilhado, certamente que impera a noção da importância da passividade, isto é, a espera após o findar de um tempo de acção. Afinal, não podemos regar sempre uma planta; existem momentos em que a devemos deixar seguir o seu natural percurso de crescimento e de fortalecimento.

Quando despertamos e decidimos trilhar as veredas das etapas propostas, assemelhamo-nos a uma árvore frutífera que pacientemente cresce e floresce, até conceber os seus tão esperados frutos. Contudo, após o término do tal período de rega e de crescimento, será necessário aguardar pelo amadurecimento dos ditos frutos. Se agirmos céleres, como seres temerosos e inconstantes (mas quem, de nós, já não se viu nesse papel?), arriscamo-nos a colher os frutos verdes. Se, de facto, eles respeitam um peculiar processo de amadurecimento, não será preferível deixá-los crescer e maturar até que o açúcar neles contido atinja os valores desejáveis? Muito provavelmente, todo o esforço por nosso ânimo empreendido será digno dessa paciência. É claro que, até lá, inúmeras circunstâncias e situações despontarão, requerendo uma resposta ou decisão, mas, enquanto aguardarmos a suprema resolução (isto é, o maturar dos frutos, nossos empreendimentos), deveremos manter nossa atenção (ou percepção) desperta e apta a resolver qualquer questão que se formule. Não será isto um mero conselho meu, alguém que fala de entre vós, como vós e para vós, mas somente um válido caminho de actuação. Em todo o caso, como é sabido, todo o caminhante se guiará pelas indicações de sua bússola interior.

Em suma, sabemos que possuímos sempre o método que será a resolução da dúvida; o obstáculo, em muitos casos, reside na dificuldade em identificá-lo. Aparentará ser contraditório aceitar uma espera, quando o que mais se anseia é agir, plantar e fazer crescer nossas ideias e realizações, mas o Caminho possui os seus tempos próprios, as suas estações. A serenidade preservada e a confiança no porvir, por mais indefinido que este possa ser, são, uma vez mais, os pilares que se afiguram mais sólidos. Aceitá-los é um desafio; qual de vós, intrépidos caminhantes, se atreverá a agarrar uma tal certeza?


Pedro Belo Clara.



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