quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Cura

O entendimento – e a não menos importante aceitação – do nosso terreno e de suas fronteiras, é um passo deveras importante no percorrer de todo o Caminho. Em anteriores ocasiões, tive a oportunidade de me debruçar e de partilhar perspectivas sobre algumas vertentes deste aspecto. Contudo, pretendo agora expandir um pouco mais o raio de acção e desvendar um propósito mais abrangente.

A aceitação dos nosso limites, portanto, pode revelar-se um processo árduo de executar e algo vagaroso em sua desenvoltura mas, quando concluído, apresenta-se como o catalizador da consciencialização de um Amor-próprio, um dos ramos do Amor Universal / Incondicional. No fundo, quando materializamos a Vontade, transformando-a em algo mais concreto, e a Revelação, como por magia, se manifesta, abraçamos a nossa Essência mais pura – eis o encantador processo a que me refiro. Assim, oculto por entre os parâmetros dessa aceitação, reside a premissa de algo ainda mais universal: a Cura, em todos os demais aspectos. Evoluir como Seres que somos, mental e emocionalmente, consiste em curar a Alma que anteriormente era assombrada pelas Trevas (a representação do não-conhecimento), eliminando os demónios (entendam-se assim as emoções mais destrutivas) que perfidamente controlavam os seus actos. Chegar ao ponto de pensar por si próprio e de decidir cada uma das direcções a tomar é a prova suprema de que o Ser assumiu o comando de si próprio! Ou, por outras palavras, encontrou a Luz (conhecimento) em si e consciencializou-se. Este tipo de “renovação espiritual” ou simplesmente de “despertar” tem consequências deveras abrangentes, nomeadamente uma manifestação física de tal acontecimento. Afinal, em “mente sã”, resistente, optimista e sábia, estará sempre um “corpo são”; a aceitação desta e de outras dualidades revela a aceitação do mundo em que vivemos e das normas pelas quais este se rege (em termos extra-políticos e extra-governamentais, claro). A importância desta auto-aceitação e, como tal, auto-cura é inclusivamente crucial ao desenvolvimento de uma comunidade, sociedade, país ou mundo. Ao restaurar o interior restauraremos o exterior, ao curar a Alma curaremos o Corpo, ao amarmo-nos a nós mesmos amaremos o outro – na dualidade residem hipóteses de actuação fantásticas! Ao iniciar esta limpeza, tornar-nos-emos seres harmónicos capazes de, finalmente, entender os efeitos resultantes da sua operação e de caminharmos, juntos, até à aurora dos novos dias. Ao curarmos o indivíduo curaremos o colectivo mas, antes que todas essas portas se possam abrir, a consciencialização assume uma importância crucial.

No entanto, ao olhar do clarividente, o particular é um meio para harmonizar o global; e é essa a raiz de todo o seu trabalho diário, a sua contribuição para uma superior (e tão desejada) elevação da própria Consciência Humana. Elaborando, cada um de nós, a sua parte, grandemente contribuiremos para o alcançar dessa ambiciosa meta. Os céus já se revelam mais claros e no hoje, como sempre, habitam todas as hipóteses de se iniciar tal empreendimento. Curemos, então, cada continente do nosso mundo íntimo, abrindo caminho ao radioso futuro que nos espera, para além deste velho horizonte.


Pedro Belo Clara.




2 comentários:

  1. Agradeço o comentário, Raquel... Fico feliz por ter gostado dessa filosofia. Volte aqui sempre que quiser, pois é bem-vinda! Beijos.

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