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segunda-feira, 18 de maio de 2020

MEDITAÇÕES LX



Vem agora para este lugar
onde harpas, flautas e cítaras
tecem melodias sem que mão
alguma lhes toque;

vem agora para este lugar
onde o tempo não subsiste,
onde nada foi nem será;

vem agora para este lugar
onde todas as aparições
são vistas à luz invicta
dum olhar claro e limpo;

vem agora para este lugar
onde a separação é entendida
como a primeira mentira;

vem agora para este lugar
além de luz e sombra,
sem forma ou cor, onde todo
o movimento acontece
no seio dum supremo repouso.

Vem agora escutar as harpas,
as flautas e as cítaras,
toma a esta mesa o teu devido lugar
– por demasiado tempo vagueaste
no deserto de ti mesmo.

Vem agora, irmão meu,
entra no silêncio onde comungam
os filhos dum só pai,
os filhos que se descobrem
no próprio pai.










(Fonte: universal.org)


quinta-feira, 9 de maio de 2019

MEDITAÇÕES LVI


Nenhuma palavra importa,
mesmo estas que acabas de ler.

Se foram canteiros donde brotaram
flores, ao alto erguendo-se
no contar dos dias, tal apenas se deu
para que se lhes seguisses a direcção.


Quem sabe o que poderias lembrar
firmando a linha do gesto?

Ou, se profundo foi o teu olhar,
talvez em cada uma visses
uma mão gentil apontando
ao mais íntimo âmago de ti.

Mas sobre as palavras, as palavras
como coisa em si, nenhuma importa.
Somente o silêncio que nasce
naquele que atento as escuta.









(Fonte: vivianeferreira.com)